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E é através da chuva que vamos seguindo...

Apesar de qualquer coisa e antes de tudo, continuamos sempre a caminhar.
Através dos raios de sol, dos ventos de outono, do gélido inverno, continuamos seguindo em frente. Conquistamos, apesar da chuva.
Chuva essa que tende a nos atrapalhar, que interfere nos caminhos que vão sendo escolhidos, nos planos que vão sendo traçados, nos sonhos que às vezes vão sendo esquecidos.
Não necessariamente toda chuva é de água... Existem chuvas que simplesmente não molham, apenas nos cansam e existem chuvas que nos encharcam até mesmo a alma.
Mas, às vezes, quanto mais forte a chuva, mais forte nos tornamos.Quanto mais molhados, mais corremos. Quanto mais inundações, maior é o desejo de mudança. Quanto mais assustadora a tempestade, mais belo o arco-íris depois dela...
Simplesmente nos moldamos conforme nossos desafios, pulamos mais alto conforme o obstáculo.
Mas afinal quem impõe esses obstáculos, quem faz as chuvas afinal? Não somos nós.Talvez seja alguma coisa que reconhece nosso potencial.Algum ser que esteja além do nosso entendimento. Talvez seja o destino, uma instituição que ninguém entende mas quase todos acreditam.
A verdade é que não temos olhos bons o suficiente para enxergar além, por isso vemos tão bem a chuva que nos cerca e tão mal o que está além dela.
E provavelmente por termos tantos desejos, por sermos realmente firmes em nossas decisões, é que continuamos conquistando, passo a passo, o que está além da chuva.Porque quem não é forte o suficiente em sua decisão, fica parado.
Pois é, nós somos grandes o suficiente para conquistarmos, apesar da chuva.
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Atada.

Tenho as mão como raios de sol
Constroem um mundo
Mas não desatam o nó da escuridão
Existente na noite de um irmão.

Tenho o coração cheio de alegria
Representando a sinfonia da vida
Sem vencer o silencio da agonia
Presente nos olhos de uma amiga.

Tenho no corpo uma alma cheia de música
Que corre e percorre caminhos
Do desconhecido
Ao intrínseco,
Mas que não carregas as pedras
Apesar do coleguismo.

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As despedidas.

Tenho medo das despedidas.
Quando olho profundamente para elas tenho a impressão que representam coisas que não vão voltar, pessoas que não estarão mais ali, momentos que não vão se realizar.
Despedidas me parecem desejos perdidos.
Talvez sejam a incapacidade humana de ficar, a vontade de mudar.
Percebo que quando abraço alguém dizendo até mais, esse até mais é um tempo muito longo e então eu choro por dentro...Mas ainda assim uma luz pertinente insiste em brilhar, a luz do reinicio.
Às vezes, despedidas são sinais de reencontro. São a esperança da volta.
Elas têm a capacidade de nos fazer sentir falta daquilo que deixou de existir, nos deixam a impressão de momentos que poderiam ter sido mas não foram, de sentimentos que deveriam ter sido vividos mas não passaram pela vivência.
As despedidas nos mostram um mundo de possibilidades não realizadas, ultrapassam no ideia de convivência mostrando o quão pobres somos por não aproveitar totalmente os momentos de vida comuns uns aos outros.
As despedidas são o início da saudade e a ausência do presente no futuro.