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As despedidas.

Tenho medo das despedidas.
Quando olho profundamente para elas tenho a impressão que representam coisas que não vão voltar, pessoas que não estarão mais ali, momentos que não vão se realizar.
Despedidas me parecem desejos perdidos.
Talvez sejam a incapacidade humana de ficar, a vontade de mudar.
Percebo que quando abraço alguém dizendo até mais, esse até mais é um tempo muito longo e então eu choro por dentro...Mas ainda assim uma luz pertinente insiste em brilhar, a luz do reinicio.
Às vezes, despedidas são sinais de reencontro. São a esperança da volta.
Elas têm a capacidade de nos fazer sentir falta daquilo que deixou de existir, nos deixam a impressão de momentos que poderiam ter sido mas não foram, de sentimentos que deveriam ter sido vividos mas não passaram pela vivência.
As despedidas nos mostram um mundo de possibilidades não realizadas, ultrapassam no ideia de convivência mostrando o quão pobres somos por não aproveitar totalmente os momentos de vida comuns uns aos outros.
As despedidas são o início da saudade e a ausência do presente no futuro.
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Quis gritar mas segurou a voz...

Quis chorar mas resolveu sorrir.Enquanto o Mundo lhe dizia o que não fazer, ela resolveu seu próprio destino. Como se nada mais importasse além da sua própria felicidade. E o que mais deveria importar?
Além dos caminhos todos pela frente, percebeu que tinha uma grande mochila nas costas e mãos que seguravam levemente as suas.
Entendeu então que dentro de si, havia apenas o que ela realmente havia construído, existia apenas a verdade dela mesma.
Enxergou então que nada mais poderia lhe segurar, a não ser o seu prórpio desejo de ficar.
Viu que as mãos que a apoiavam era ela quem havia permitido escolher e que por amá-la continuariam sempre ali. Ela já não se permitia guiar.
Sentiu o quanto era forte, quão grande era seu poder.
E agora, cada vez que a revolta a seguisse, olharia para os lírios, veria a beleza, iria senti-la, como se cada a cada respirar apenas a alegria sentisse, como se a cada olhar apenas o amor visse.
Decidiu que buscaria a vida, assim como ela sempre a seguira.



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Sobre a saudade.

A saudade lembra de tudo o que foi vivido
Lembra do que foi e do que virá
Lembra do passado que realizamos,
das palavras que dissemos,
do riso unido,
das mãos dadas,
do abraço apertado,
do canto em cojunto,
da vida numa harmonia única.
Lembra da vida...

Mudanças bandidas que unem e depois separam,
Que trazem mais lágrimas do que pensamos ter,
Que nos fazem mais saudade do que imaginamos ser...


Às vezes, quando penso na minha saudade, ela realmente me parece uma companhia. Um ser de uma melâncolia mais bonita que vive conversando comigo nos momentos em que estamos apenas eu e eu mesma. Penso que saudade é mais que falta, é mais belo e mais humano que apenas o vazio de algo necessario. Saudade é a lembraça da vontade de ter novamente.
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Sobre as árvores.

Incrível é o modo como as árvores se curvam ao vento, curvam-se mas não caem. Quanto são curvas, sustentam seu peso de forma gradual, elástica. Quando são altas sustenta-se em raízes fortes e demoram tanto para estarem totalmente formadas...
As árvores carregam em si o dom da natureza, criam e sustentam a vida como se fosse algo simples.
Vestem-se conforme a estação, são tão sazonais quanto qualquer ser...Dormem quando precisam dormir, comem o que é necessário comer vivem o quanto lhes é permitido viver.
Velam por todos os seres, são como mães e pais, são nações e são pátrias, são casas e refúgios, são quem precisam ser.
As árvores florescem e dão frutos, sem reclamar da dádiva que têm em mãos e cuidam de cada coisa ao seu redor com um esmero natural.
Zelam pela vida e enfeitam a morte...

Eu gosto tanto das árvores...São Entes que sugerem um mundo mais simples, belo enquanto simples.
Hoje eu vivo cercada de árvores. Enquanto vou para a sala de aula passo por um pomar e para qualquer lado que eu olhe durante o dia vejo uma árvore, grande, pequena ou apenas cheia de flores.
Ando sem tempo de publicar, mas com muita inspiração pra escrever.

Um concelho: façam faculdade! E façam com que as coisas aconteçam de verdade...Como as árvores fezem.
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Vôo Livre.


A ideia do Mundo está num vôo livre...
Primeiro as asas crescem,
depois surge o apoio
e por fim o medo.
E após o medo surge a fé.
O Mundo não passa de apoio e fé
e nós não passamos de pássaros em busca do vôo livre.
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Ciclos do caminho.

Passagens são como ciclos,
E o que existe são passagens.
Um rio nunca é o mesmo
Um dia nunca é apenas dia...
O além vai por onde a vida passa,
O infinto está num abraço antigo.
O ciclo de existir está no permitir,
Permitir que haja voltas e inicios
Que haja fascinios e amores,
Que haja vida na existência...
O ciclo vai além do sol que se põe para alguns
E se levanta para outros
Está na teia colorida e permeada de vidas,
Está no humano mundo do ser.
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Um pouco de poesia.

Quanto tempo levamos para crescer?
E quando somos ralmente grandes?
Quantos caminhos iremos percorrer até o dia acabar?
Somos quem podemos ser, sonhos que podemos ter...
Com quantos caminhos se faz uma vida,
E com quantas vidas se faz um caminho?
Por quantas pedras e por quantos rios passaremos,
o que levaremos?
Dar-se enquanto é tempo,
doar-se enquanto há vida...
As coisas passam num piscar de olhos e quando vemos o caminho já passou.
Nada acabou, tudo apenas começou.
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Aquilo que os olhos dizem...

Ela simplesmente não sabia o que fazer...Como podia ler olhares?
Acordara de manhã e, ainda com ramela nos olhos, encontrou sua mãe no banheiro a se maquiar, disse "Bom dia...", e sua mãe a olhou com os olhos já delineados e disse "Bom dia..."com os lábios, mas dizendo: "Talvez fosse um bom dia se o meu chefe não aparecesse na repartição e seu pai me levasse pra jantar..." com os olhos.
"Hora, convide papai para jantar e não dê tanta atenção assim ao seu chefe!"exclamou a menina. A mãe a olhou espantada perguntando meio à garota meio à si mesma se teria dito seu pensamento em voz alta. A menina foi-se pelo corredor e a deixou lá, com seu questionamento.
Trocou-se, pegou todo seu material e olhou-se no espelho do aparador. Estava diferente, dormira tão bem sonhando com "Ele".Como seria dormir tendo a certeza do seu abraço, do seu beijo, do amor d'Ele? Nos sonhos ela já sabia como era.
Tomou café silenciosamente ao lado do pai, ela divagando sobre sua paixão juvenil e ele protegido pelo jornal, uma grande fuga quando não se tem assunto.Logo veio a mãe, correndo e dizendo do atraso, nem sequer olhando a mesa ou tudo ao seu redor. "Vamos menina ou você perde a primeira aula e eu ganho uma bela chamada!"
Seguindo a mãe disse "Até" ao pai e foi, toda esvoaçante até o carro. Não é que estava excitada pela escola, a escola em si não a animava, mas "quem" estava na escola trazia toda essa euforia.
No caminho a mãe foi silenciosa e a menina mais ainda, uma nem sequer olhara para a outra e no fim do percurso ela percebeu que a mãe estava com ocupações demais para ser sua caixa de confidências. Disseram apenas "Thau" mas ela viu, no fundo dos olhos da mãe uma frase.
"Queria tanto que as coisas fossem diferentes." Essa frase estava batucando em sua cabeça como "I just called to say I love you", não era uma música, mas parecia. Como ela leu ou ouviu isso?Como podia ver o que olhares diziam? E porque sua mãe estava pensando isso? Simplesmente porque sua vida não era como sonhara...E isso a mãe teria de resolver sozinha.
Enquanto ela pensava na vida chegou "aquela pessoinha". Olhou-a dentro dos olhos dizendo "Ele é meu!" sem nem ao menos mexer os lábios. Agora sim, ela estaria ficando louca? Sabia que as pessoas falavam com olhos, mas nunca pensara nisso como algo real e incontestável. Sem pensar duas vezes, disse com sua voz terna e sábia: "Ninguém pertence à qualquer ser deste mundo.Tenha um bom dia"
A pessoinha empinou o nariz e saiu do alcance dos seus olhos.Definitivamente ela não havia entendido nada...E isso não deixava de ser engraçado!
Logo "A amiga" chegou. Se abraçaram apenas e naquele instante de infinito nada precisou ser dito e tudo foi entendido. Ela disse a amiga: " Estou entendendo o que os olhos dizem..." e a outra simplesmente disse "Eu tinha certeza que um dia você entenderia". A abraçou novamente e seguiu pelo corredor, o sinal havia tocado. A menina foi para sua sala sem entender muita coisa.
Enquanto ela olhava para o nada que a lousa vazia representava "Ele" chegou. Suas pernas bambearam e suas maçãs do rosto ficaram ainda mais rosas. Um sorriso de canto de boca pareceu quando ele lhe digiriu o olhar, que dizia apenas "Bom dia!". Ela apenas mexeu os lábios mas som nenhum saiu...Ele sentou-se ao seu lado. Ela ficou mais rubra ainda. E a aula começou e seguiu seu curso, com ela vendo o tédio das mentes de alguns professores, a sabedoria dos pensamentos de outros e a realização nos ensinamentos de alguns.
Logo depois do almoço, antes do professor chegar, Ele sentou-se e disse: "Você vai de ônibus hoje?" e ela respondeu "Sim" com uma voizinha tão pequena quanto a palavra. Olhava em seus olhos e nada lia...Ele disse: "Que bom! Assim quem sabe você pode me explicar literatura? Eu não entendo Fernando Pessoa...Eu guardo seu lugar no ônibus." Ela novamente disse apenas que sim.
A aula continuou e ela não conseguia entender nada que o professor dizia, não entendia os números e parecia que se esquecera do que as palavras diziam...
O tempo passou arrastado mas passou e logo chegou a hora de ir embora. Correu até o ponto, entrou no ônibus e logo ouviu um "Aqui! Eu guardei seu lugar". Olhou a frente e viu aquela mão que tanto observara durante suas aulas e logo depois viu os olhos que tanto lhe impressionavam com sua cor de mel, mas sem ler o que poderiam dizer.
O caminho foi mais curto do que ela queria, enquanto ela lhe explicava " Meu olhar é nítido como um girassol" ou então "Pensar é negar o sentir", ou então "Nada me prende, a nada me ligo, a nada pertenço" e por fim "Segue o teu destino,/Rega as tuas plantas,/Ama as tuas rosas./O resto é sombra de árvores alheias."
Pertíssimo do seu ponto, ela disse, não querendo dizer, "Eu desço aqui."
E ele simplesmente respondeu "Eu sei" E dando-lhe um beijo no rosto disse "Obrigado".
Ela ia levantando quando ele segurou sua mão, nada disse, mas ela entendeu o que o mel dos seus olhos diziam...
" Você não faz ideia de como eu te admiro! E mesmo não sabendo o que realmente é, sei que sinto algo maior que isso."
Ela ainda pensava no que havia visto-ouvido com olhos deitada na cama. Na verdade, pensou o tempo todo. Não se lembrava do que havia jantado, nem o que havia visto na televisão, apenas lembrava que era sensível o suficiente para ler o que os olhos diziam e que isso fazia algo ser melhor, na verdade, muito melhor em sua vida. Ler as pessoas podia fazê-la feliz...E Ele a admirava...E isso não era o todo, era apenas o início.
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Aos Trinta.


Daqui a doze anos eu terei trinta anos...O tempo é realmente algo destinto.Desde pequena penso em como inventaram o tempo e porque ele rege tanto nossas vidas. Lembro-me de perguntar às pessoas grandes como o tempo havia surgido e em qual tempo o seu criador apareceu no Universo. Até hoje penso nisso porque acredito ser ele o bem mais precioso que pode existir.É a partir dele e apenas nele que as coisas podem ser planejadas e construídas.
Desde que me entendo por gente planejo minha vida. As idades, os períodos,os estudos, os trabalhos,os filhos, o marido...Acho que cada pessoa se preocupa de alguma forma com as coisas que podem ou não acontecer em sua vida.
Antes eu imaginava que aos dezoito estaria na faculdade, morando em uma república, estudando feito louca e solteira como uma pedra. Depois passei a me imaginar morando em Campinas, estudando como uma louca e namorando um cara que morava à uns cem quilometros de distância.Hoje, aos dezoito, passei na faculdade, vou estudar como uma louca e ao mesmo tempo ser esposa e dona de casa...E não poderia ser melhor!A vida é cheia de surpresas e nos prega peças o tempo todo e a única coisa que podemos fazer é rir dessas peças...
Todo mundo deve sonhar com os trinta "...a idade do sussesso!", qual a relação entre essas duas coisas eu não sei, mas aos trinta tudo pode mudar.
Eu nunca conssegui me imaginar aos trinta anos, eu sempre parava nos vinte e oito que era quando eu teria que arranjar um marido...Hoje eu ainda penso bastante no futuro, muito menos do que antes por ter aprendido que as coisas acontecem quando têm de acontecer. Imagino como eu quero estar e quem eu quero ser daqui a doze anos.
Aos trinta eu vou ter um filho de uns três anos, uma casa linda, o amor da minha vida ao meu lado,uma bagagem maior ainda de livros lidos e duas faculdades.
Quero levantar às quatro da manhã e ir ao mercadão fazer as compras frescas para o restaurante, voltar para casa e acordar meu marido com o seu café na cama de sempre ouvindo alguém no quarto ao lado choramingando algumas palavras confusas.
Quero rir de um pingo de gente que fala as palavras erradas e esbarra em tudo como eu e quero continuar a ver o brilho do amor nos olhos de quem amo.
Quero continuar com uma felicidade plena e completa, independente do que esteja acontecendo além daqui, dentro de mim.
Eu vou visitar minhas amigas médicas, arquitetas, psicólogas e as que ainda não sabem o que farão aos trinta e nós iremos rir do passado. Riremos da escola, contaremos das faculdades, consolaremos as lágrimas e continuaremos tendo por dentro os mesmo sentimento em relação à cada uma.
Vou ver uma grande pessoa numa peça teatral e dizer: "Ela é minha madrinha de casamento!"
E vou ver um grupo musical famoso e dizer: " O cara do violão é meu padrinho de casamento e a vocalista?! Eu a vi cantar quando ainda morava numa cidadezinha do interior!"
Vou ter todas as músicas que o meu irmão, viajando o mundo todo, tocará. E me emocionarei vendo os vídeos da minha irmã dançando fora do País.
Quando eu tiver trinta anos vou abrir a janela do quarto e dizer que eu sou feliz e que o Mundo não é tão grande assim...Daqui a doze anos eu continuarei sendo a mesma Laís de hoje, meio destrambelhada, nerd, apaixonada por livros e por pessoas, escritora e poetisa por inspiração, musisista por DNA, românticapor natureza, jogadora de D&D, encantada por flores e céus cheios de estrelas e amante das cozinhas e dos amigos.

Esse texto não só meu, é da Lina, da Mary, da Samara, da Laís Pedroso, Da Aline, do Jânio, da Tamy,do Rapha, da Letícia e principalmente do Leandro, o amor da minha vida que vai me ver não só aos dezoito e aos trinta, mais aos quarenta, cinquenta, sessenta, setenta...Pelo resto da minha existência.
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A Flor da Liberdade.

"...Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda..."
Cecília Meireles, in Romanceiro da Inconfidência, 1953
Imagine uma flor. A mais bela, a mais rude ou a mais singela.
Imagine uma cor. Num tom claro, escuro ou misturado.
Imagine apenas...E contrua num sonho sua maior obsessão.
Esta é a Liberdade. Uma flor cultivada pelo mais intimo intelecto humano, plantada e germinada no jardim dos sonhos mais profundos e mais inexplicáveis.
Ela brota quando conhecemos seu adubo, o Ideal. Oh Ideal! Que faz com as pessoas morram enquanto trilham seus caminhos mas que faz com que carreguem no peito uma sede complexa de mudança e nos olhos o fogo de mudar.
Ela cresce quando caminhamos em busca de mais adubo e de mais terras férteis, os sonhos.Neles plantamos cada vez mais a Flor chamada Liberdade, depositando o mais puro amor e os mais imperfeitos sentimentos humanos.
A Flor é plantada mas nunca colhida, sempre há amarras no mundo, mesmo que invisíveis. Já nascemos entre grades e a Liberdade é plantada por nós além dessas grades, onde bate o sol da fraternidade, onde há ventos de mudanças, onde existe a chuva da igualdade.
Esta Flor se mostra forte mas é tão delicada quanto uma gota de orvalho. Precisa do sol da fraternidade para que suas raízes sejam fortes e firmes na terra, para que uma flor permita que a outra cresça numa certa proximidade, para que a beleza das diferentes cores se combinem, não se contrastem.
Nescessita dos ventos de mudança para que as pétalas velhas caiam e surjam novas, tão belas quanto as antigas e para que seu caule seja sempre rijo diante das coisas que a possam abalar. Tudo tem sua hora de mudar.
E é sempre bom que caia sobre ela a chuva da igualdade, que mostra que todas as Liberdades são belas e necessárias, que são iguais perante o céu. São gotas pesadas, que mostram a cada flor que ela é única mas não "a única". Todas são importantes para que haja um belo jardim.
Sempre que regada ela fica mais bela e sempre que replantada faz com que mais flores possam surgir e povoar esse imenso jardim chamado ser humano.
Como se rega? Com idéias.
Como se replanta? Com palavras.


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Uns Selos especiais.

Este selo eu ganhei da Iana do Voando Alto...Pensando Alto.
Mexeu e remexeu na minha mente... "O que significa ser um Homo sapiens ?"
Na verdade ainda não terminei minha resposta, mas afinal, eu nunca as termino mesmo...Um cara genial me disse uma vez que nunca devemos ter certeza das respostas, se tivermos seremos seres que não pensam mais...Não existem conclusões.
Ser um Homo sapiens é ser um animal. Aquele animal que racionaliza e diz que nenhum outro faz o mesmo. O animal no topo da cadeia alimentar, que comanda o mundo, que modifica o mundo mas não o domina.Mas existe a outra faca deste animal.
Existe algo nesse animal chamado Ser humano, uma outra face da mesma moeda, uma outra ideia da mesma mente.
Ser um Ser humano é pertencer à um grupo que vive uma vida em sociedade como todos os animais, mas que com essa sociedade modifica o mundo onde vive, fazendo o melhor para o seu grupo, vivendo a grande contradição de pensar na construção e na destruição que ele causa e que hoje caminham em conjunto.
Ser um Ser humano é carregar em si a dúvida, a contradição da existência, sem entender o porque das coisas mas sempre inventando os pra ques da vida.
É mais ou menos isso afinal...
Eu repasso esse selo para quem ficar inspirado em responder a questão: "O que significa ser um Homo sapiens ?

Esse selo eu ganhei da Lu Paes do Trinta Livros, um Ano gostei muito da lista dela... Ficou bela.
Há apenas duas regras: Indicar oito pessoas ao selo e listar oito desejos antes de morrer.

Os meus desejos:
1.Me formar e trabalhar em gastrônomia.
2.Ter filhos. Um do meu corpo e um do Mundo.
3.Escrever um livro.
4.Criar uma biblioteca e ler livros para crianças que gostem de ouvir como eu ainda gosto.
5.Mudar a vida de pessoas e continuar permitindo que mudem a minha.
6.Aprender à preparar sobremesas quentes e me especializar nelas.
7.Voltar a cantar em um Coral.
8.Voltar à fazer Teatro.

E o Selo vai para...
Dressa,Essence From Freedom
Lina,As insanas melodias da Lina
Iana,Voando Alto...Pensando Alto
Lary,My Fantastic Dreams
E para quem mais quiser mostrar seus desejos!
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Sobre Deus e Mães.

Quando um ser tem o dom de gerar a vida ele é chamado ou de Deus ou de Mãe e isso acontece desde a antiguidade mais clássica, quando se acreditava em muitos Deuses e em muitas Mães.
Pode parecer que quem gera filhos é Mãe, mas nem tudo o que parece é. Ser Mãe não é apenas o ato de carregar um ser da mesma espécie dentro do ventre por quanto tempo uma gestação durar, é o ato de amar. E esse ato vai além da vida, vai além do conhecer e consegue ir além do ser.
Uma Mãe de verdade ama mesmo antes do conhecer, conhece bem antes do ver e sabe que é até antes do ser. Talvez seja um instinto vivente dentro dos seres mais sensíveis.
O ato de ser Mãe beira sim os instintos, mas consegue misturar a razão com vários sentimentos nem sempre compreendidos.
Eu acredito que quando Deus cria um ser é como quando uma Mãe tem um filho. A primeira impressão deve ser de dor, afinal uma parte de si está indo embora do corpo, está começando a fazer parte de um mundo mais independente. Depois surge a emoção que nunca pode ser descrita. Pergunte à uma Mãe qual é a sensação de ver seu filhinho todo roxinho e ensanguentado pela primeira vez? Ela responderá que é a maior emoção do mundo, mas isso não descreve quase nada da emoção em si.
E então surgem as semelhanças. E então começa a surgir a imagem magnifica do ser Deus ou do ser Mãe. Pois essa imagem vai além do parto, além do repartir-se em pedaços. Ser Mãe ou Deus é ser criador, é criar e recriar à todo instante.
Um ser que gera mas não cria não pode ser chamado de Mãe, talvez de geratriz, pois apenas concretizou o ato da matéria, nada criou.
Eu sou filha de uma Mãe, pois fui criada por uma. Vejo imagens e semelhanças dela em mim. Se sou o que sou é porque ela me ajudou à construir.E se ela é Mãe é porque do seu suor e de sua raça surgiram seus três filhos. Hoje criados? Sim, e todos os dias recriados por muitas Mães.
O Mundo é como uma Mãe, onde aprendemos a todos os instantes como sermos e o que somos.E cada Mãe é um Mundo, onde tudo o que é belo pode habitar e onde tudo o que se pode criar existe.
O Mundo é como um Deus, que nos recria à toda hora e que cria à todo momento, fazendo seu papel de criador, sofrendo com partos e se emocionando da forma mais indescritível. E Deus é como o Mundo, habitando dentro de si cada ser que já criou.


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Maio.

Quando pequena os brinquedos pareciam mais que enormes, as luzes mais que coloridas e os cheiros e sabores mais que especiais.
Era como magia pura.
O vento frio, mas não gélido, abanava as blusas e fazia as toucas sempre caírem no chão. Era proibido sair de casa sem estar bem agasalhado e era de lei comer churros na Festa de Maio.
Festa essa que durava treze noites e quatorze dias, mas ainda criança ia apenas em três ou quatro,sempre no início, pois era um perigo no final, quando um verdadeiro "formigueiro humano se juntava", como dizia sua mãe.
Tudo era gigante e único. Seu maior moinho de vento eram os aviõezinhos, que davam tanto medo e ao mesmo tempo tanta alegria que era indescritível a sensação de estar lá.
Naquela época podia-se ser qualquer coisa, desde atirador de elite, quando o pai segurava a arma no Tiro ao alvo, até piloto de caça nos aviõeszinhos.Era-se quem queria ser.
Nessa época do ano as gripes e crises alérgicas eram comuns graças ao tempo seco e quando um ficava gripado, todos os outros ficavam também. Afinal, eram três e sempre seriam três.
Era uma loucura ir nos brinquedos todos, cada um queria um e sempre saia a conversa de amarra-los todos numa só cordinha.Mas pior era quando juntavam-se os primos.
Para as crianças era pura farra, mas para os adultos talvez não fosse tanto assim.
Os pais na verdade não deviam gostar de fato dessa bagunça, afinal eles trabalhavam durante o dia, mas as crianças nem ao menos dormiam com a ansiedade da festa.
No dia de ir todas as regras eram combinadas em casa: um cartelão para cada um, dez reais para comprar o que quisesem (sempre acabava sendo mais por causa dos quitutes trazidos na volta do trabalho ou pelos churros depois da escola), nunca desgrudar da mãe, dar sempre as mãos, nunca andar em fila, não falar com estranhos nem aceitar nada... As regras faziam parte da rotina de Maio, eram parte da Festa.
Depois de grande, os moinhos foram outros, a farra da Festa era ir em grupo. Ainda não abandonara o hábito de andar de mãos dadas e essas mesmas mãos eram também utilizadas para sinalizar quando alguém sumia em meio à multidão, tão temida na infância.
Nessa época os brinquedos dexaram de ser grandes, hoje são pequenos e não causam mais o mesmo vento no rosto e a impresão de que se pode ser o que se quer ser neste mês.
Os cheiros já não são tão bons e se parecem mais com cheiro de sujeira misturada com fritura. As luzes parecem pobres.Mas ainda há uma grande alegria na Festa: o sorriso da criança mais amada.
Sim, um simples sorriso faz com que tudo seja belo e mágico novamente e talvez simplesmente por isso os pais continuem levando seus filhos na Festa de Maio, para vê-los sorrir.
O incrível de crescer não é ver o passado ou ter outras ideias, é perceber que a magia da infância pode viver conosco, ao nosso lado e que sempre existirão crianças para segurar nossas mãos na Festa de Maio.
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A construção do Futuro.

O que somos hoje é uma mistura do que fomos ontem, com os sonhos que tínhamos e os planos que temos. Somos alicerce feito ontem, construção de hoje e projeto de amanhã.
O futuro só a Deus pertence? Não, só a nós pertence. Pois somos os construtores da vida, a semente do amanhã gernina dentro de nós e como bons jardineiros devemos rega-la e aduba-la, sem esquecer que a muda que vive hoje será árvore amanhã...
Sou um ser povoado de emoções e razões, povoado de sonhos e planos, sou um ser com Futuro.
Ah o Futuro...Ouvi uma vez que era uma doce ilusão e que sempre seria diferente daquilo que planejanos. Descubri que ele pode ser diferente do projeto mas nunca deve deixar de ser nosso.
Segundo Almir Sater, "Cada um carrega o dom de ser capaz, de ser feliz", e eu concordo com ele, pois cada ser vivente na Terra carrega conssigo uma sentelha divina, a sentelha do construir. Sim, somos todos semideuses. E o que é um semideus senão uma figura que carrega nas mãos o próprio Futuro? Que desenha em seu caderno as linhas de sua vida?
Um semideus é um ser que carrega dentro de si suas próprias decisões. Isso nos torna especiais.
E a graça não está em tentar adivinhar o futuro, mas em construí-lo, detalhe à detalhe.Como quando sonhamos com uma casa, com uma faculdade ou com um restaurante. Todos os sonhos cabem no nosso Futuro, pois cada um será construído com nossas mãos. O que não nos cabe é sonhar com as pessoas.
Elas nunca serão quem queremos que sejam, mas quando nos abrimos percebemos que a beleza está nos olhos de quem a quer ver e vemos que todo ser carrega o tempo na ponta dos dedos, entre o cair e o equilibrar. E isso não está em nossa decisão.
O Futuro é a coisa mas instável que pode existir, pois cada um que constrói um futuro tem a liberdade de muda-lo quando bem entender e é por isso que viver de futuro é disperdiçar a maior oportunidade que existe: o Presente.
Sim, esta divisão do tempo que nos une à todo instante ao Passado e ao Futuro. E que deve ser usado para ponderar os dois aproveitando essa dádiva.
Nós somos o Futuro de nossos tataravós e Passado de nossos tataranetos. Não sei se eles nos sonharam mas sei que somos interligados, como tudo no Tempo. Afinal é para isso que ele serve,
para interligar as coisas num fio contínuo sem início nem fim: num ciclo.
Nosso Futuro é a continuidade do nosso ciclo, e depende unicamente de nós para ter sucesso.
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O Amor e a Generosidade.


O amor.
Sentimento mais sublime e perfeito que pode existir. Não fere e nunca diminue, nunca subtrai ,apenas adiciona nas equações da existência um "q" a mais de vida...
Existem amores e amores e todos são de verdade. Como as águas do mar que são várias formando um só oceano, ele povoa o nosso ser fazendo com que várias partes diferentes formem uma só.
Todo ser humano é capaz de amar e a partir desse amor é capaz de erguer o Mundo. O Mundo gira porque existe amor nele. As flores desabrocham e as crianças riem porque há amor em volta destes seres e a vida segue em diante quando se cria amor por ela.
O amor apenas constrói.
Diante dele somos únicos e vívidos, somos seres imperfeitos inspirados em sua perfeição, carregando conosco a paixão.
Quanto a paixão, é o sentimento mais feroz que pode ser domado,quando incapaz de construir,destrói, porém quando usada como combustível, nos move para além da coragem...
Além da paixão o amor traz conssigo a generosidade, um sentimento concretizado num ato.
Num ato que faz com que os olhos sejam brilhantes de bondade e a voz terna e aconchegante como uma suave melodia.
As pessoas que amam são generosas. Não apenas com o ser amado,mas com o Mundo. E ser generoso vai além do material, abrange o espírito e torna a alma branca. Não branca de neutra, mas branca pela união de todas as cores, pois é isso que a generosidade carrega, a união.
Eu vivi a união por esses dias fora de minha casa, na casa de alguém que à muito eu queria ver. E eu vi, no âmago deste ser uma alma pura, límpida e branca de tanta generosidade como eu já imaginava.
Vi também seus exemplos, o âmago de todas as famílias, a união entre duas pessoas que se amam e geram deste amor filhos, formando um núcleo perfeito em seus sentimentos. Eu me senti parte da família ao entrar pela porta, como uma prima que à muito não era vista...
Percebi que não sou única em acreditar que somos mais fortes quando encontramos a pessoa certa e tive mais certeza que para o amor não há distância, nem hipocrisia, nem necessariamente um convívio comum, há apenas a generosidade de se abrir e a simplicidade de se acolher.
Eu fui acolhida de braços abertos e agradeço muito por um dia mais que especial.

Dedicado à Lina e à linda Família da qual ela faz parte.

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O que move a Felicidade.


"A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar"

O dinheiro traz a felicidade? Eis um tema que talvez seja carregado desde que o ser humano criou o dinheiro e se deu conta que existe algo chamado felicidade.
Acredito que o dinheiro não traz a felicidade e que ela não depende unicamente dele para chegar . O dinheiro pode proporcionar momentos de alegria mas alegria não significa felicidade. Talvez em alguns momentos exprima a felicidade, mostrando-a para o mundo,mas não é porque se é alegre que se é feliz.A felicidade é um estado de espírito que as pessoas se permitem estar, independente do dinheiro.
Existem pessoas que se sentem alegres e até se julgam felizes por ter dinheiro,mas será que realmente são?
Ouvi uma vez que cada ser humano é responsável pela sua própria felicidade, então os que depositam o motivo de sua felicidade no dinheiro não são livres para criar sua felicidade,então como são felizes?
As coisas podem ser mais fáceis quando se tem dinheiro, mas as coisas que são fáceis podem perder a graça logo, como um quebra-cabeça que depois de montado quinze vezes já não traz mais aquela satisfação do desafio conquistado, não traz mais o "Vim, vi e venci".Isso não significa que a felicidade é algo a ser conquistado,a não ser dentro de cada um, pois afinal de contas, ela mora numa casinha simples.
No alto de um morro há uma casinha azul com janelinhas brancas, com floreiras e flores, com uma graça unicamente dela onde mora a felicidade.E como se chega lá?
Com um veículo chamado eu mesmo.Ele é movido por pequenos vestígios de felicidade que ela vai deixando para atrair qualquer um desde pequeno, como brincar no barro e correr com o cachorro,como descobrir amigos e encontrar um grande amor, como abraçar,beijar e sentir carinhos, como em se doar ou ,no meu caso,como cozinhar.
São atos onde a felicidade vai passando e deixando seu rastro para que encontremos o caminho até sua casa.O dinheiro pode ajudar sim, mas como a ajuda de um mapa, nos guia e isso não significa que dependemos unicamente dele.
O vento que mantem a felicidade somos nós mesmos que sopramos e portanto é esse vento nosso que guia a felicidade, como uma pena.

P.S.: Os versos no início do texto são de Tom e Vinicius, numa música chamada "A felicidade", que exprime uma felicidade muito bela.
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Os sonhos e as cozinhas

Desde de pequena vivo me perguntando o que serão os sonhos. Às vezes acho que são apenas impulsos da alma e que nunca os alcançaremos porque são impossíveis. Noutras apenas acredito que sejam projetos, pelos quais traçamos caminhos e abrimos portas que acabam nos guiando para outros lados.E de vez em quando acredito que sejam seres de verdade que nos inspiram a continuar em frente.
Eu sonho e lá no fundo acredito que todos sonham, até os que não sabem o que significa esse ato tão maravilhoso, até os que não tem coração, até as alcachofras.
Sim, mesmo as alcachofras sonham. Acho que se visualisam num belo prato, colorido como um quadro, pois os pratos de Bistrôs e Restaurantes Finos são obras de arte, com textura, cor, forma e puras notas, que formam sua harmoniosa melodia. Mas os sonhos tem um problema, assim como a cozinha, o medo.
Todo medo causa uma angustia feroz dentro do peito, algo que vive impedindo as pessoas de serem felizes como devem.
Na cozinha, quando temos medo, não acreditamos nos tempeiros, nem nos sabores e muito menos na mágica que acontece no fogão e na geladeira, e então os pratos não viram obras de arte e sim algo que traz um complexo e incalculável trauma. Então as pessoas nunca mais comem de forma degustativa. Sim, há uma grande diferença entre meramente comer e degustar de uma forma magnífica, mas isso é uma assunto muito longo.
Na cozinha, acho que nasci sem ter medo.
Nos sonhos é bem parecido. O medo também causa um impedimento incuravel: a desistencia.
E desistir de uma sonho é uma das coisas mais tristes do mundo.
Acredito fielmente que desistir aos poucos é melhor que desistir de uma vez, mas não desistir é a maior forma de se mostrar o coração.
As alcachofras sonham. E por incrivel que pareça elas não desistem, passam a vida com esse sonho e muitas vezes morrem sem o te-lo realizado, mas são felizes por simplemente te-lo sonhado.Elas mostram seu coração de forma límpida e pura.
Eu ainda espero ser como uma alcachofra, sem medo de seguir sonhando, mesmo que seja um sonho apenas sonhado, com os pratos e as cozinhas, com o coração límpido e puro, à mostra como um troféu.























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Sobre a morte

Hoje não há foto.
E já faz um bom tempo que este texto povoa minha mente... na verdade duas semanas exatas.
A morte.Talvez uma vilã e talvez uma salvação, não sei direito, só sei que é dolorido para os que ficam.
Os lugares de repente são mais vazios, o silêcio desta forma não é uma benção e as vidas, de alguma forma, se entristecem.
Neste ano o carnaval não teve graça, teve pesâmes e lágrimas. E a cada lágrima que eu sentia no meu ombro me perguntava "porque as pessoas boas se vão?". Não sei.
Do mesmo modo que não sei como retribuir tudo o que esse ser, que hoje nos olha com outros olhos, fez em vida.
Sim, ela foi um anjo sem asas.
O vazio de sua falta vai nos povoar para sempre. Mas ainda nos consolamos, uns aos outros, com o ideal alegre de que ela está em paz, com o homem que ama em um lugar magnificamente belo.
E temos uma vida inteira pela frente, somos tão jovens...
Hoje, olho para a linda geladeira vermelha da coziha e me lembro de sua delicadeza. Percebo que há muito dela pelo nosso cotidiano, percebo o quanto ela nos ajuda a construir uma vida pelo simples fato de te-la presenciado um dia.
Não há mais palavras, apenas sentimentos que não se concretizam e um arrependimento: não ter conhecido mais uma pessoa tão bela que fez tanto pelo homem que eu amo e por mim também.

Dedicado à Dona Lurdes.
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Tempo,Distância e joelhos problemáticos




"É, a vida é um balé,
é feita do que é,
os pés guiando passos
e os passos guiam o pé"

Esse é o refrão de uma música de um autor que ainda mora no fim do mundo...Sinto falta desse cara,das músicas dele e das músicas que criamos sentados no parque.
Eu queria muito descobrir quem criou o tempo,a distancia e os joelhos problemáticos. E sim,essas três palavras tem uma relação intrínsica.
O tempo passa,a gente aprende.
Já ouvi diversas teorias dizendo que o tempo se criou quando o universo se criou,mas isso hoje já não me interessa mais.O que me interessa são os "porques".
O tempo passa, a gente cresce,muda, deixa o antigo eu num canto e cria o novo eu e isso é bom, mas a distância caminha ao lado disso.
Quando a gente cresce, de alguma forma,vai embora e a distância é uma das coisas mais tirstes do mundo.
Na verdade a distância é a tristeza do mundo. As pessoas só são frias porque são distantes, só não riem porque permanecem bem longe da graça que a vida mostra em todos os momentos que dirigimos nossos olhos pra ela.
O tempo passa,criamos distâncias,ás vezes lutamos contra qualquer distância e aí chega uma hora em que os joelhos doem.
Vamos ao médico e ele nos diz que não podemos mais lutar contra a distância,nossa paixão terá de ficar de lado,esquecida pra não doer tanto,empoeirando junto com as fantasias de todos os festivais que dançamos.
Ou seja, tempo,distância e joelhos problemáticos também tem relação com esquecimento, mas essa palavra ainda não permeia o meu vocabulário como as outras...
O que permaneçe hoje é a palavra lembrança. Aindo lembro da bailarina que mais brilhou como odalisca...E eu sei que ela ainda mora em algum canto além da tristeza de deixar uma paixão de lado.
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Por mim...

As vezes o tempo demora pra se arrastar...
É dificil dizer vai quando apenas queremos dizer fique, mas é por mim que faço isso.
É por mim que temo toda noite quando penso como você está, é por mim que ouço a sua voz sem poder te abraçar, é por mim que rezo,mesmo nas horas em que acredito que isso não resolva, para que as coisas acabem logo.
Mas elas não acabam.
Mas é caindo de bicicleta que o joelho cicratiza e forma calos para que mais tarde a dor não volte. Deve ser assim com a saudade também... Na verdade o segredo é não deixar que ela sufoque.
É por mim que não me permito cair e chorar, que não me deixo ficar em tempestade, que não desisto de ao menos tentar, é por mim que espero...
É por mim que faço planos, planejo casas, projeto vidas.
É por mim que vivo cada dia.
E é por mim que descubro a todo instante que até a minha parte mais egoísta é composta inteiramente de você.
É por mim que descubro todos os dias que a minha razão de ser é você.
E é por mim que continuo a viver por você.
EU TE AMO LEANDRO e é por nós tudo o que faço...